Pastor e a Politica....

REFORMA:

Uma movimento de muitas faces

Manoel Peres


"A notável concordância de muitas teses de todos os reformadores explica-se pela aspiração comum de não querer inventar coisa alguma, e de reproduzir, com toda a fidelidade, em toda a plenitude possível os fatos e as conseqüências da Revelação." – (STROHL, Henri. O Pensamento das Reforma. São Paulo: Aste,1963. pg. 12).


I - A Reforma, como movimento religioso do século XVI, trouxe por outras vertentes, conseqüências que só tomamos conhecimento se realmente nos propomos a acentuar o nosso interesse e, em vista disso, o nosso conhecimento sobre o assunto.


II - A Reforma teve o seu real início, antes de 1517, quando almas piedosas pediam a Deus uma nova visão e uma atuação direta do Senhor na História, fato que se deu de forma marcante com Lutero, mas antecedido por outros reformadores anônimos.


III – Uma releitura do movimento nos leva a concluir que a Reforma foi traída por seus filhos quando decidem: dar relevância à doutrina em detrimento de uma verdadeira vida piedosa; perda do elemento sobrenatural de fato, propondo o racional como substituto; dicotomia profunda entre sagrado e o profano; sacralização das Escrituras em detrimento da ação do Espírito Santo e esquecimento do elemento discipulador.


IV – A Reforma deve ser vista hoje como a necessidade de :


1. Uma Renovação Carismática, isto é, compromisso total e irrestrito diante de Deus; comprometimento pessoal em todas as áreas da existência na vida cristã; imediato abandono do cristianismo nominal.


2. Reformulação do ofício do Presbítero com uma revalorização sintomática; formação teológica, redimencionamento dos aspectos poimênicos da função deste oficial;


3. Abertura litúrgica, dando características autóctenes; participação integral do povo como agente ativo; liturgia como resposta aos anseios do povo com fome de Deus, e que busca nele a sua resposta.; canal indutor de comunhão e adoração verdadeiras de Deus.


V – Como teologia da história e história da teologia, a Reforma deve nos relembrar que, as falarmos de Deus, devemos abandonar o excesso das vias metafísicas, sem com isso, perdermos de vista o seu valor transcendental; procurar envidar esforços pela sua popularização, sem acometê-la de um esvaziamento de sentido e valor essenciais; criar uma caracterização de contemporaneidade, acentuando o seu papel de realidade da presença de Deus no meio do seu povo. Revitalizar o seu papel de exegese dos atos de Deus na história viva do Reino.


VI – Enquanto Igreja a Reforma nos ensina, ainda, que devemos:

Ser resposta aos anseios do mundo que nos rodeia, quanto às suas legítimas indagações sobre o seu passado, o seu presente e o seu futuro, e o quanto Deus importa na história dos homens;

Dar à Igreja a proeminência de juíza e crítica da História, acentuando o seu valor teleológico.

Elemento norteador e voz profética do Reino de Deus, inserida no reino dos homens. Mentora adjunta como canal recondutor dos fatos e seus significados mais profundos

Opção de vida e valores para a sociedade como um todo, rastreando todos os seus segmentos;

Sinal de contradição e contracultura da civilização instituída e emergente de nossa época que desvaloriza a vida, massifica e empreende uma caráter efêmero das realidades e dos valores além elativizá-los, aprofundando a dicotomia ricos e pobres como natural sacralizando o sistema econômico como natural, ser e ter (agora parecer);


6. Como elemento de movimento reformista interior e contínuo.


VII – O legado que temos é valioso demais para ser esquecido na poeira da história e somente relembrado (quando isso acontece) como efeméride histórica de uma situação longínqua demais para nos demover de nossa inércia conceitual. Temos hoje, se for vista pela fé, uma mesma situação que aquele em que Lutero fez valer os valores do Cristianismo acima dos da sociedade de então. Não amadurece hoje em tempo para uma nova Reforma?