OBJETOS DA SORTE


CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO



1) Origem da palavra criação

A palavra "portuguesa "criar"vem do latim creare, que significa "gerar ", "produzir".

Para se criar alguma coisa é preciso ter um criador, ou um autor criativo, que engendre, arquitete, um esboco de sua criaçao, faça cálculos, analise prós e contras e em seguida parta para a ação.

O ato criador pode se dizer, é o maior acontecimento de que se tem notícia. É a ação mais plena, completa, perfeita, lógica que se conhece.

A criação é o ato que deu origem a tudo, sem o qual não existiria nada, nem céus, nem terra, nem planetas, nem atmosfera, nem vida, nem plantas, animais, nada, nada. Seria o "nada ", ou se preferir o "vazio", o "vácuo".

Nossa mente não pode assimilar o sentido de "nada", porque nossos sentidos nos mostram, vida,pensamento, obra, beleza, universo, visão, tato, cheiro, ruídos, e tudo isto desde que éramos fetos no útero materno.

A criação é o oposto do "nada"!

2) Sentidos da palavra "criação"

A palavra apresenta dois aspectos, ou sentidos; o filosófico e o teológico.

a) Filosófico

O filosófico diz que a criação foi realizada através de uma força cósmica ou divina, mas que não explica nem quem foi o criador, nem como criou , nem o porquê.

A filosófica ainda apresenta que se houve criação deve ter havido um ""estado anterior" à criação, uma "situação existente anteriormente", ou seja, elementos pré-existentes de onde os mundos foram extraidos mediante um poder , uma força, ou uma energia , da qual a criação foi possível.

É como se disséssemos: '' Älguém criou um tijolo cozido. De onde ele saiu? da terra, é a resposta. ou; alguém criou um instrumento qualquer. De onde alguém criou o instrumento? De um pedaço de madeira extraido de uma árvore.

A filosofia diz então que se '' alguém " ou ''alguma causa'' (que ela não especifica), criou o universo conhecido, deve ter havido ''alguma matéria'' pré-existente, mesmo que esta teoria seja improvável.

Ela, a filosofia, apenas ''ínventa'' estórias da imaginação humana, sem ter a preocupação de apresentar comprovações.

Ela não é obrigada a tal! Entretanto, ela diz o que imagina, diz o que acha, cria o problema filosófico ou um argumento filosófico, para que a mente humana racionalize, analise, discuta, comprove, faça experiências, enfim, tente provar suas argumentações.

Se é fantasiosa, impossível, inverossímel, improvável, incoerente, insensata, descabida, incongruente, não importa para ela.
O homem deverá decifrar o enigma! Por isso, dizem: Ninguém entende os filósofos!!

Mais a frente iremos nos defrontar com teorias filosóficas de grandes homens do passado e alguns recentes, mostrando-nos de forma cabal, até onde a mente sem Deus, pode chegar em suas argumentações.

b) Teológico

A teologia declara crer fielmente no Criador onipotente o qual chamamos Deus! Este Criador por Seu ato soberano, inteligente, eterno, independente, potentíssimo, amoroso, glorioso, arquitetou na eternidade um projeto criador e o pôs em execução pela ação de Sua soberania, por meio de Seu Filho Jesus, no Espírito Santo, co-participantes desta maravilhosa obra.

A teologia apresenta a Bíblia divinamente inspirada, como base fundamental às suas afirmações, demonstrando tanto pela fé, como pela razão, que o ato criador foi perpetrado por um Criador, com poder inteligente, pleno, sobrenatural, satisfatório, dentro de uma sequência lógica; nada, caos, vazio, luz, terra, sol, elementos, mar, plantas, vida animal, vida humana.

Portanto, a fé, a razão e a revelação concordam que Deus é a ''causa'' da criação. Claro que esta criação por tão abrangente, tão espetacular, tão grandiosa, deixa-nos, pequenas criaturas finitas e limitadas, com muitos mistérios sem solução, por não termos como explicá-los.

Assim, a teologia pode apresentar explicações do'' porquê'' da criação, mas não pode explicar o ''como'', nem ''de onde''.

Mesmo que a ciência, chegue a ponto de desenvolver ume física perfeita, respondendo a todas as perguntas, propostas nessa disciplina, teremos que lembrar que nem todas as dúvidas são questões de física e precisaremos nos utilizar de todas as variadas disciplinas ou ciência para chegarmos a qualquer porção apreciável de verdade.

A Bíblia em Gênesis 1:1 afirma: ''No princípio criou Deus, os céus e a terra''. ( no hebraico antigo - barê shith Elohim). Deus não explica ''como'', ''quando'' e ''porquê''. Isto porque Deus é Criador e nós somos criaturas, e Ele não nos deve explicações do que faz, mesmo porque não poderíamos entender a matemática sobrenatural da criação.

Ele revelou ao escritor, numa inspiração sobrenatural, que escrevesse em uma linguagem inteligível a nós; ''No princípio, Ele criou o universo conhecido pela Sua vontade soberana, com Seu poder onipotente, na eternidade, por meio de Jesus no Espírito Santo.


3) Sentido histórico da criação

Historicamente falando, a criação refere-se àquele primeiro ato mediante o Deus auto-existente trouxe à existência o que não tinha forma de existência permanente. Em certo sentido, pois a criação torna-se uma sub-doutrina do próprio Deus, pois, se algo passou a existir além de Deus, temos que definir a natureza dessa existência em relação ao Criador.

É razoável pensar que se a criação teve começo em Deus, então deverá continuar com Deus e encontrar cumprimento em Deus.

Orígenes, um dos pais da igreja primitiva(225 d.C.), supunha que a criação, bem como a vida toda, fazem parte de um eterno e contínuo ato criador de Deus, o qual seria a fonte originadora de toda vida.

Já, Clemente, outro pai da igreja primitiva que viveu após Orígenes no começo do terceiro século de nossa era, acreditava que nem sempre a criação existiu como uma realidade, mas sempre fez parte do pensamento de Deus. Já dentro do tempo, Deus concretizou o Seu pensamento, e através do ato criador as coisas vieram à existência.

Assim, Deus teria criado o ''tudo'' do ''nada''(ex-nihilo), mediante o poder de Sua palavra ou Verbo(Cristo é o Verbo - João 1:1 e Apoc. 19:23), em um tempo em que só Deus existia.

Desta forma, a vida humana foi criada foi criada por um ato especial de Deus, da matéria já existente (a terra)


II) O Poder da Criação


1) Criação: Quando ? Como? Por que?

''No princípio, criou Deus, os céus e a terra. Estas são as palavras inspiradas à Moisés, para narrar a criação de Deus. É a máxima do ato criador!

a) Quando?
O homem, arguto, perspicaz, irrequieto, e em consequência ávido por explicações detalhadas e pormenorizadas torce o nariz e diz: Será? Será que foi assim? Mas, como?

Aí o homem, o eterno inconformado polemista e incrédulo, por meio da filosofia pergunta: '' No prinípio... - quando? Criou Deus... - Que Deus? Quem é Deus? Os céus e a terra... - Como? De onde?

É o homem querendo questionar a Deus!

Clark já disse que o estudo da teologia é matéria de fé!! Como a criação é um dos pilares da teologia moderna, ela tem que dar algumas explicações ao inquiridor.

Porém, Deus não narrou estes fatos da criação para satisfazer a curiosidade do homem, nem tampouco diz o que diz com conotação científica e muito busca justificar Seu ato criador aos leitores humanos e finitos.

Se Deus, voltasse para as minúcias de Sua arquitetura, se tentasse explicar a matemática da sustentação do universo ''o moto contínuo", em que o universo se encontra, com certeza esta formiguinha ( o homem) jamais
Compreenderia os arcanos (desígnios) do Criador.
Ele é infinito, Ele é a própria sabedoria e inteligência e quem somos nós?

Já na sua pequenez, quando tentou questionar a Deus, o que Deus disse? Jó 38:1 ''Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem entendimento?'' Cinge pois os teus lombos como homem, pois Eu te perguntarei e tu me farás saber.

Onde estavas tu quando Eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes, ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases? Ou quem lhes assentou a pedra angular? Onde está o caminho para a morada do sol? ''

Assim, vemos que as perguntas ficam sem respostas face à nossa finitude!!

b) Como?

Como já vimos, não temos resposta para a primeira pergunta. A Segunda só podemos conjecturar .
A criação ocorreu através de um poder onipotente!

Um poder que não podemos conhecer nem mensurar!!

Podemos ter alguma idéia, quando o escritor de Hebreu no capítulo 12: 2 diz: ''Pela fé entendemos que o universo foi formado pela Palavra de Deus de maneira que o visível passou a existir das coisas que não aparecem.''

Podemos inferir que já existia uma criação de Deus em Sua mente, e que Ele fez vir à exiostência pelo Seu poder e pela Sua Palavra.

Podemos inferir que simplesmente Deus criou do nada (ex - nihilo), os céus e a terra (o universo visível, os céus e seus exércitos invisíveis), tudo dentro de uma onipotência soberana e sábia, elaborada, estruturada e arquitetada em Sua mente.

c) Por que?

''Porventura desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até a perfeição do Todo-poderoso? Jó 11:7.

''Quem és tu ó homem para discutires com Deus? Porventura pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Romanos 9:20.

Como somos pequenos! o reconhecimento de nossa pequenez, já é um grande passo na direção da compreensão das revelações de Deus contidas na Bíblia.

Por que? ou para que? criou Deus todas as coisas? Só podemos responder que a criação é a manifestação visível da glória de Deus! Ela era perfeita, plena, bela, apreciável, agradável a Deus a ponto Dele exclamar: ''E viu Deus que tudo quanto fizera, era bom"

Em razão da queda , essa criação foi estragada, ficou maculada, perdeu o brilho original.

A criação toda geme, conforme Paulo diz: ''Porque sabemos que toda a criação a um só tempo geme e suporta angústias até agora "Romanos 8:22.


Por que e para que então Deus criou todas as coisas? Para a Sua eterna glória, prazer, honra e louvor! Deus gostou do que fez, e aprovou a Sua obra.

Deus não nos criou únicos no universo visível, pois somos Sua obra-prima!! Somos ímpares, sem cópias, para que cada um de nós sejamos um com Ele um dia, para que cada um de nós, vivamos para Ele e o adoremos para sempre, glorificando-o, eternamente agradecidos pelo dom da existência, vivendo em Sua presença uma
plenitude inigualável, que o profeta Isaías profetizando, declara: ''Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.'' Isaías 64:4.

2) Onipotência de Deus na Criação

Quando estudamos a matéria Teologia Sistemática e deparamos com o título; Doutrina de Deus, e entramos nos atributos divinos, vamos encontrar um deles cuja palavra é; onipotência (omni - tudo e potens - poder).

Este termo embora aparentemente simples de se falar, concentra uma quantidade enorme de poder que nós simplesmente não podemos sequer imaginar

Imagine Deus dizendo: Fiat Lux (Haja luz), e houve luz!! Nossa mente pode captar o tamanho do poder?

Quando Jesus repreendeu os elementos, vento e mar, fazendo grande bonança, em Mateus 8: 26-27, os discípulos ficaram atônitos e exclamaram; ''Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?

Quando Deus destruiu a humanidade através do Dilúvio, Noé e sua família pode experimentar o grande poder de Deus, transformando toda a terra numa bola de água com todos os continentes submersos, sem contudo tirá-la de sua órbita, mudando seu curso destruindo-a.

Identicamente, não dá para a nossa mente entender a sabedoria de Deus, que criou tanta diversidade de vida animal, vegetal e humana, onde cada qual exerce o seu papel na cadeia biológica .

E se entrarmos no micro-cosmos? Que mente extraordinária estruturou cada DNA, cada cromossomo ,cada gene, de tal forma que cada ser vivo possui a sua específica diversidade genética.

No reino vegetal é a mesma coisa. Cada planta, cada árvore, cada raiz, possui a sua unicidade de formação biológica, e cada uma tem a sua função na biosfera.

Que poder é este?

É o poder de Deus!!


3) A criação segundo a Bíblia

A criação segundo a Bíblia, é a mais coerente possível! Ela pode suscitar dúvidas na mente de quem quer perguntar a Deus, por que me fizeste assim. Entretanto, na mente do homem que se volta para o Criador e diz:

''Os céus manifestam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras de Suas mãos'', não há questionamentos.

A Bíblia quando narra sobre a criação de Deus; os seis dias, ela é estruturada, bem elaborada, coerente, sábia e perfeita. Ela mostra que Deus fez o que fez, para Sua glória e honra, e que o que fez era bom. Deus se agradou tanto de Sua criação que ''descansou'' no sétimo dia, isto é; parou para admirar Suas obras, tão satisfeito com a plenitude dela.

A Sua glória não merecia menos! O Seu prazer foi criar almas viventes à Sua imagem e semelhança, com idéias próprias para um mundo organizado, ordeiro e feliz. Deus não se esqueceu de nada! Deus não fez uma obra pela metade, deixando que o tempo, a evolução ou o desenvolvimento gradativo, aperfeiçoasse suas obras. Não!!

Deus completou todas as etapas e projetos de Sua mente a ponto de reconhecer que tudo quanto fizera era bom. A perfeição de Sua obra estava realizada! A perfeição de Sua obra estava completa!

Caberia agora ao homem Adão e sua mulher Eva, viverem como mordomos da terra , do jardim do Éden, dentro dos padrões de liberdade estabelecidos por Deus.

4) A criação segundo os agnósticos

O agnosticismo afirma que uma criação imperfeita(?) requer um criador imperfeito, uma divindade não perfeita.

Estes mestres, partiam daí para a idéia, de que essa divindade imperfeita(?), é o Deus do Antigo Testamento, ao passo que um Deus superior, estaria envolvido na preparação da revelação neo-testamentária.

Claro que os teólogos cristãos repudiam estas afirmações categoricamente, por entender que essas afirmações configuram o politeismo(vários deuses).

De acordo com a Teologia do Antigo e Novo Testamentos, o verdadeiro Deus como Criador de todas as coisas, é o alicerce indispensável da Teologia.

Em séculos recentes, com o surgimento da ciência moderna e avançada, e ainda com a diversificação das posições teológicas, tem vindo à tona muitos debates relativos à criação.

Lutero em seu ''Pequeno Catecismo'', asseverou: ''Deus criou a mim e a tudo quanto existe. Ele deu-me o corpo e a alma e continua a sustentá-los, os meus membros e os meus sentidos a minha razão e todos as demais faculdades de minha mente...''


III) Outras visões sobre a Criação


1) A criação segundo os antigos hebreus


Dentro desses esforços para estruturar uma criação que chegasse a bom termo em aceitação entre os seus, os hebreus estruturaram uma cosmologia da criação(estudo sobre a criação do cosmo), que hoje não concorda em nada ou muito pouco com os fatos científicos conhecidos.

Quando os hebreus aludiam ao firmamento, para exemplificar, não se referiam ao céu estrelado. Antes eles imaginavam alguma espécie de substância sólida, abobadada sobre a terra, separando águas que haveria por cima de águas que haveria por baixo dessa abóbada.

Eles supunham que essa substância sólida assemelhava-se a uma taça invertida, cujas bordas pousavam sobre regiões montanhosas, nas extremidades de uma terra plana. Eles pensavam que essa abóbada teria janelas, por onde passava a chuva e a luminosidade celeste.

Também pensavam que as luzes do sol, da lua e das estrelas eram corpos relativamente pequenos, pendurados na parte inferior da abóbada, para servirem de luminares da terra.
Os antigos também pensavam que o ''hades''(inferno), seria uma região abaixo da superfície da terra. E a terra era retratada como uma terra plana, que repousava sobre águas do abismo, e que havia colunas por baixo de tudo, apoiando a estrutura inteira.

Não havia resposta, para a pergunta sobre, onde repousavam as águas do abismo!

Conceito hebraico sobre o universo - (cosmologia hebraica sobre o universo)

2) A criação segundo a ciência moderna

A ciência deveria apresentar uma teoria mais plausível, senão a melhor de todas as teorias científicas. Afinal é a ciência que está com a palavra. E ela arroga a si, o direito de destruir qualquer outra teoria, uma vez que a ciência é detentora da verdade da experimentação, da prova, do laboratório, enfim, das respostas tecnicamente provadas.

Entretanto, não é assim!

A ciência produziu inúmeras versões sobre a criação, todas elas eximindo Deus da participação. Desde o início da ciência, cada mente, umas mais, outras menos, lançam teorias, as mais absurdas sobre a criação de Deus, culminando hoje, na teoria chamada; ''big - bang'' ( a grande explosão - a explosão inicial que deu origem ao universo). E de onde surgiram os elementos para esta explosão? Do nada?

No passado, outros cientistas lançaram teorias, as quais citaremos apenas três delas:
-
- eternidade da matéria,

Esta é bem conveniente, pois não haveria necessidade de explicar a sua origem, ela seria eterna, como Deus, sem necessitar de Deus...

- expansão do universo,

O universo sempre existiu, porém houve um tempo em que ele era minúsculo, com a propriedade de expandir-se eternamente, logo, ele sempre esteve em expansão, o que nossos antepassados viam não é o mesmo de hoje, e o que conhecemos hoje, não será o mesmo daqui a dez séculos, e assim sucessivamente...


- a teoria da causa e efeito de Kant,

Antes de Kant já existiam defensores desta teoria, porém ele sobrepujou os outros na sua defesa, por isso essa teoria leva-lhe o nome. Diz a teoria; se o universo é um efeito, logo deve haver uma causa. Entretanto, ela não especifica ''quem'' o ''que'' causou esse efeito.

Nenhuma delas resiste a mais simples pergunta: Quem deu início a elas? Ou quem as causou? O acaso? Ou um Deus inteligente? Uma força? Uma energia ?


3)) A fé, a razão e a revelação concordam entre si sobre a criação?

Sim, eles concordam entre si que Deus é o autor da Criação!!
Porém quando começamos a abordar os detalhes, descobrimos inúmeros mistérios, para os quais não encontramos solução.

''Pela fé entendemos que o universo foi criado por Deus, de maneira que o visível, veio a existir das coisas que não aparecem''. Hb. 12:2.

'No livro de Gênesis, não devemos buscar um comentário sobre o aspecto físico da criação. Se o fizermos, encontraremos uma cosmologia que não se presta a tal exame.

A nossa teologia, mormente a evangélica, começa pelo alicerce do conceito que criou e trouxe à existência os universos e os seres materiais e imateriais; e, que por causa deste fato, todas as coisas criadas têm que buscar continuamente em Deus a razão de sua existência e o seu destino.

A teoria da criação chamada ex-nihilo, apesar de supor erroneamente que Deus criou tudo do ''nada''(visto que do nada, nada é feito); ela está com a razão, ao fazer tudo dependente de Deus.

A criação espiritual é que torna necessária a criação material e não vice-versa, e é precisamente isso que está envolvido na redenção.

Na nova criação, a espiritual, os remidos haverão de participar da natureza divina, tornando-se assim seres necessários ou seja, seres que não podem deixar de existir.

Pois Nele movemos e existimos..., Deus nos tornou naquilo que somos! Nossos destinos dependem Dele!!

Ele formou em nós a imagem de Cristo! Ele nos proporciona sua própria natureza e seus atributos. Toda essa realização está acima das possibilidades humanas! Tudo nos vem pela Graça.

A razão nos faz pensar que há uma coerência na criação divina. Porque esta criação, está de acordo com um plano, porque tem propósito, ela é tremendamente racional.

Enquanto as demais filosofias não apresentam um autor para a criação, a Bíblia sem perder a razão de vista,.
mostra claramente um autor sobrenatural, independente de causa, poderoso, coerente com a razão, pois apresenta planos gradativos (caos, vazio, trevas, abismo, firmamento, luzeiros, terra, luz, água, vida vegetal, peixes e aves, vida animal, Éden, vida humana, chuva, árvores frutíferas, pensamento, fala, tempo, dia, noite, manhã, tarde), apresentando o homem e a mulher como obra-prima da criação, colocando-os como mordomos da terra.

Não há acasos, nem desordem, nem desenvolvimento gradativo, nem evolução sem um controlador, mas desígnio, projeto, plano, organização, propósito, ordem, poder, vontade, estrutura, perfeição.

Por isso a fé a razão e as revelações concordam entre si sobre a criação de Deus!

IV) A Trindade na Criação


1) A Criação é um ato trino de Deus

A Escritura nos ensina que o trino Deus é o Autor da Criação.
Gn 1: 1 ''No princípio criou Deus, os céus e a terra.''

Is. 40:12 '' Quem na concha de sua mão mediu as águas, e tomou a medida dos céus a palmos? Quem recolheu na Terça parte de um efa o pó da terra, e pesou os montes em romana e os outeiros em balança de precisão?''

Is. 45: 12 '' Eu fiz a terra e criei nela o homem; as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as minhas ordens.''

A participação do Filho é indicada em João 1:3 ''Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez."

Col 1: 16 ''Pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.''

A atividade do Espírito Santo, acha-se expressa em Gn. 1:2 '' A terra porém era sem forma e vazia, havia trevas sobre a face do abismo e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.''

A Segunda e terceira pessoas não são poderes independentes, ou meros intermediários, mas sim Autores Independentes, juntamente com o Pai. A obra da criação não foi dividida entre as três pessoas, mas a obra completa, embora em diferentes aspectos, é atribuída toda a cada uma das pessoas.

Todas as coisas são de uma só vez oriundas do Pai, por meio do Filho, e no Espírito Santo.

Pode-se dizer em geral que o ser provém do Pai, o pensamento ou idéia provém do Filho, e a vida provém do Espírito Santo desde que o Pai toma a iniciativa na obra da criação, muitas vezes esta é atribuída a Ele, em termos da economia da Trindade.

2) A Criação como um ato pelo qual algo é produzido do nada (ex-nihil)

A doutrina da criação é absolutamente única!
Tem havido muita especulação acerca da origem do mundo, e várias teorias têm sido propostas. Uns declaravam que o mundo era eterno(eternidade da matéria), enquanto outros viam nele o produto de um espírito antagônico à Deus(gnósticos).

Outros sustentavam que ele foi feito de material pré-existente, a que Deus deu forma(Platão), e outros afirmavam que foi originado por emanação da ''substância'' divina(gnósticos sírios), e ainda outros o consideravam como a aparência fenomênica de Absoluto., sendo este o fundamento oculto de todas as coisas(panteismo).

Em oposição a todas essas vãs especulações dos homens, a doutrina da Escritura, sobressai com grandiosa sublimidade: '' No princípio criou Deus, os céus e a terra.""

3) A Criação ex-nihilo

A frase "criar ou produzir do nada"", não se acha nas Escrituras! Ela é oriunda de um dos apócrifos, a saber; II Macabeus 7:28 ''Suplico-te, meu filho, que olhes para o céu e para a terra, e para todas as coisas que há neles, e que penses bem que Deus as criou do ''nada'', assim como a todos os homens.

A expressão ex-nihilo tem sido mal interpretada e criticada. Alguns até consideram a palavra nihilum(nada), como um designativo de certa maneira com a qual o mundo foi criado, matéria sem qualidade e sem forma.

''Criar do nada'', significa que o mundo veio a existir sem nada ou ninguém que atuasse como sua causa, e passaram a criticá-la como conflitante com o que geralmente se considera verdade axiomática ex-nihilo nihil.
Fit(do nada, nada se fez). Mas esta crítica é inteiramente destituída de base. Dizer que Deus criou do nada o mundo, não equivale que o mundo veio a existir sem causa. Deus mesmo, ou mais especificamente a vontade de Deus é a força causante do mundo.

Martensen expressa-se com estas palavras: '' O nada do qual Deus cria o mundo são as eternas possibilidades de Sua vontade que são as fontes de todas as realidades do mundo."


V) Criação em geral

1) Prova Bíblica da doutrina da Criação

Não se acha a prova bíblica da doutrina da criação numa única e restrita porção da Bíblia, mas em todas as partes da Palavra de Deus. Não consiste de umas poucas e esparsas passagens de duvidosa interpretação, mas sim, de um grande número de claras e inequívocas afirmações que falam da criação do mundo como um fato histórico.

Temos primeiramente a extensa narrativa da criação nos dois primeiros capítulos de Gênesis que será discutida mais pormenorizadamente quando for considerada a criação do universo material.

Estes capítulos certamente parecem ao leitor despreconcebido uma narrativa histórica e o registro de um fato histórico. E as muitas referência espalhadas pela Bíblia toda, não a consideram diferentemente. Todas elas se referem à criação como um fato da história.

As diversas passagens em que se acham essas referências podem ser classificadas como segue:

a) passagens que salientam a onipotência de Deus na obra da criação. Is. 40:26 e 28; Amós 4:13,
b) b) passagens que indicam Sua exaltação acima da natureza, como Deus grandioso e infinito: Sl 90:2 Sl 102:26 e 27, Atos 17:24,
c) c) passagens que se referem à sabedoria na obra da criação: Is. 40: 12 a 14 , Jr. 10: 12 a 16, e João 1: 3,
d) passagens que vêem .a criação do ponto de vista da soberania e do propósito de Deus na criação: Is. 43:7, Rom 1:25,
e) e) passagens que falam da criação como a obra fundamental de Deus: I Cor. 11:9, Cl. 1: 16.

Uma das declarações mais completas e mais belas é à que se acha em Neemias 9:6 '' Só tu és Senhor, tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles: e tu os preserva a todos com vida, e o exército dos céus te adora.'' Essa passagem é típica de várias outras passagens que se acham na Bíblia e que dão ênfase ao fato de que Jeová é o Criador do universo.
Is. 42: 5, 45:18, Col. 1: 16, Apoc. 4:11 e 10:6.

2) A Criação propicia ao mundo uma existência distinta

O mundo tem existência distinta! Quer dizer que o mundo não é Deus, nem alguma parte de Deus, mas algo absolutamente distinto de Deus e que difere de Deus, não só em grau, mas em suas propriedades essenciais.

A doutrina da criação implica que, enquanto Deus é Auto-existente e Auto-suficiente, Infinito e Eterno, o mundo é dependente, finito e temporal. Um jamais poderá transformar-se no outro. Essa doutrina é um obstáculo absoluto para a antiga idéia de que a criação é uma ""emanação'' de Deus, e todas as outras teorias panteistas(muitos deuses).

O universo não é a forma de existência de Deus, nem a aparência fenomênica do Absoluto; e Deus não é simplesmente a vida, a alma, ou a lei interna do mundo, mas frui Sua vida pessoal, eternidade completa, acima do mundo, com absoluta independência Dele.

Ele é Deus transcendente, glorioso em santidade, temível em louvores, que opera maravilhas. Essa doutrina apóia-se em passagens da Escritura que atestam:

a) a existência distinta do mundo: Is. 42:5 e Atos 17:24,
b) falam da imutabilidade de Deus: Sl. 102:27, Ml. 3: 6, Tg. 1:17,
c) traçam uma comparação entre Deus e a criatura: Sl 90:2, 102:25 e 27. 103: 15-17, Is. 2:21 e 22:17,
d) falam do mundo como pecaminoso, ou jazendo em pecado: Rom 1: 18- 32, I João 2: 15-17 etc.

3) O mundo é sempre dependente de Deus

Apesar de Deus Ter dado ao mundo uma existência distinta da Sua, não se afastou do mundo após havê-lo criado, mas continuou na mais estreita conexão com ele. O universo não é como um relógio que Deus deu corda e deixou andar sem a mais nenhuma intervenção divina. Esta concepção deista da criação, não é bíblica nem científica.

Deus não é somente o Deus transcendente, infinitamente exaltado acima de todas as suas criaturas: é também o Deus imanente, presente, em cada parte de Sua criação, e cujo espírito age no mundo inteiro. Está essencialmente presente em todas as suas criaturas, e não apenas ''per potentiam'' (por Seu poder), mas não está presente em cada uma delas da mesma maneira.

Suma imanência não deve ser interpretada como extensão ilimitada, através de todos os espaços do universo, bem como uma presença partitiva, estando em parte aqui e em parte ali. Deus é Espírito, e exatamente porque é espírito está presente em todos os lugares do ''modo concreto''
Dele se diz que enche a terra, Sl 139: 7-10; Jr. 23:24, constitui a esfera em que vivemos, nos movemos e existimos Atos 17:28.
Renova a face da terra, por Seu Espírito, Sl. 104: 30
Habita nos quebrantados de coração, Sl 5l:11, Is. 57:15,
Na igreja com Seu templo, I Cor. 3:16, 6:19, Ef. 2:22,
Tanto a transcendência como a imanência acham expressão na mesma passagem da Escritura, a saber: '' Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos, e está em todos''. Ef. 4:6

O teólogo Barth diz: '' Deus estaria morto, se movesse o Seu mundo só de fora dele, se Ele fosse uma (coisa em si mesmo), e não Aquele que é um em todos, o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, o princípio e o fim.''

4) O fim último de Deus na Criação


Tem se debatido com frequência a questão do fim último de Deus na obra da criação. No transcurso da história a questão recebeu especialmente uma resposta dupla:

a) a felicidade do homem e da humanidade

Alguns dos antigos filósofos, como Platão, Filo e Sêneca, afirmavam que a bondade de Deus, O induziu a criar o mundo. Ele desejava comunicar-se com Suas criaturas: a felicidade destes era o fim que Ele tinha em vista. Embora alguns teólogos cristãos tenham estado em harmonia com essa idéia, ela se tornou proeminente principalmente através do humanismo do período da Reforma e do Racionalismo de Sec. XVIII.

Muitas vezes essa teoria foi apresentada de maneira superficial. A melhor forma em é exposta traz a noção de que Deus não poderia fazer-se a Si próprio o fim da criação, porquanto Ele é suficiente a Si mesmo e não poderia Ter necessidade de coisa alguma.

E se Ele não poderia fazer-se a Si próprio o fim, então este só pode ser encontrado na criatura, especialmente o homem, e finalmente em sua suprema felicidade.

O conceito teológico'' telos - fim logia - estudo), segundo o qual o bem estar ou a felicidade do homem ou da humanidade constitui o fim último da criação, caracterizou o pensamento de homens influentes como Kant, Schleiermacker e Ritschl, conquanto não apresentem todos do mesmo modo. Mas essa teoria não satisfaz por várias razões;

- É Indubitável que Deus revela a Sua bondade na criação; contudo não é correto dizer que a Sua bondade ou o Seu amor não poderia expressar-se, se o mundo não existisse. As relações pessoais dentro da Trindade propiciam todo o necessário para uma plena e eterna vida de amor.

- Parece perfeitamente evidente que Deus não existe por causa do homem, mas sim, o homem por causa de Deus. Somente Deus é o criador e o sumo bem, ao passo que o homem, é apenas uma criatura que, por esta mesma razão não pode ser o fim da criação.

- O temporal encontra a sua finalidade no eterno, o homem no divino e não vice-versa.

- A teoria não se coaduna com os fatos. É impossível subordinar tudo que se acha na criação a esse fim, e explicar tudo em relação com a felicidade humana. Evidencia-se perfeitamente a consideração de todos os sofrimentos que há no mundo.

- b) a glória declarativa de Deus

A igreja de Jesus Cristo encontrou o verdadeiro fim da criação, não em alguma coisa que esteja fora de Deus, mas em Deus mesmo, mais particularmente na manifestação externa da Sua excelência inerente. Não significa que receber Deus glória da parte de outros seja o fim último. O recebimento de glórias por meio de louvores prestados por suas criaturas morais é o fim que está incluído no fim supremo, mas não constitui em si mesmo esse fim.

Deus não criou primeiramente para receber glória, mas para tornar a Sua glória saliente e manifesta!

As gloriosas manifestações de Deus são demonstradas em toda a Sua criação e esta demonstração não é para uma vã mostra, para uma exibição, para ser meramente admirada pelas criaturas, mas visa também a promoção do seu bem estar e da sua perfeita felicidade.

O fim supremo de Deus na Sua criação - a manifestação de Sua glória - inclui pois, como fins subordinados, a felicidade e salvação de Suas criaturas e o recebimento de louvor de corações agradecidos e desejosos de adorá-lo.

Esta doutrina tem suporte nas seguintes considerações:

- Baseia-se no testemunho da Escritura: Is. 43: 7, 60:21, 61:3 , Ez. 36:21, Lc. 2:14.

- Dificilmente o Deus infinito escolheria alguma coisa inferior ao fim supremo, em toda a criação, e esse fim se pode achar Nele mesmo, se nações inteiras comparadas com Ele, não passam de uma gota num balde, e são como o pó da balança, então, certamente a Sua glória declarativa é intrinsecamente de muito maior valor que o bem de Suas criaturas; Is. 40:15-16.

- A glória de Deus é o único fim coerente com Sua independência e soberania

Cada qual depende de quem ou do que Ele escolhe como o Seu fim último. Se Deus escolhesse algo da criatura, como seu fim último, isto O tornaria dependente da criatura naquela medida.

Nenhum outro fim, seria suficientemente compreensivo por constituir o verdadeiro fim de todos os caminhos e obras de Deus na criação. Esse tem a vantagem de abranger, como subordinados, vários outros fins.

Este é o único fim real e perfeitamente alcançado no universo. Não podemos imaginar que um Deus sábio e onipotente escolhesse um fim destinado a falhar no todo ou em parte: Jó 23:13, não obstante muitas das Suas criaturas nunca alcançam a felicidade perfeita..


BIBLIOGRAFIA

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Paley' Watchmaker...................................................Bill Cooper B.A..............................New Wine Press

Nelson Machado Filho

Diretor do Centro de Estudos Bíblicos Independente (CEBIN)

Ribeirão Preto/SP/ fone: 639-8393

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