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AMOR: VERDADES E MITO
Jorge E. Maldonado

O tema do amor é um dos que encontro com maior freqüência em minha prática terapêutica. Vejo pessoas que trazem um grande vazio no peito: "Meu pai nunca me disse que me amava". Falo com casais que parecem ter chegado a uma triste conclusão: "Já não nos amamos". Encontro famílias que não sabem como lidar com as tensões da casa com amor, ou que não aprenderam como aproximar-se e expressar carinho e apreço.
Com efeito, nossa época está saturada de "canções de amor" que, ou são muito superficiais, ou mais expressam as frustrações acumuladas, os vazios insatisfeitos e os rancores não curados, antes que um autêntico amor.
Considero que há dois problemas básicos em relação ao tema do amor no lar. Em primeiro lugar, não sabemos realmente o que é o amor e, em segundo lugar, não sabemos como amar.

AMOR NÃO É SÓ SEXO

Há várias concepções errôneas acerca do amor que têm sido difundidas por crenças populares e exploradas pelos meios de comunicação social. É muito freqüente encontrar o sexo como sinônimo de amor. Nos títulos de livros e filmes picantes e eróticos não falta o termo "amor". A frase "fazer amor" tem chegado a descrever a relação genital como se esta fosse uma oficina a que se recorre para fabricar o amor.
É verdade que não podemos desconhecer o lugar do sexo no matrimônio e no amor; só que não podemos reduzir o amor a uma função glandular. Os que têm pretendido encontrar o amor no abuso desenfreado de sua sexualidade logo têm descoberto muito mais uma fonte de amargura, culpa e solidão.
Como cristão, vejo que a Palavra de Deus, a Bíblia, não espiritualiza (como às vezes a religião tem feito) a realidade sexual do ser humano, mas a situa adequadamente. O sexo, segundo a Bíblia, não é mau. Ao contrário, é bom; foi criado por Deus não somente para a reprodução da espécie, mas sobretudo para facilitar uma relação significativa de entrega e crescimento. Tão bom é o sexo segundo a perspectiva divina, que não pode ser convertido numa coisa de uso leviano. Antes, está limitado ao matrimônio para sua expressão mais saudável.
Assim, pois, o sexo não pode ser sinônimo de amor. O sexo é uma expressão do amor. Em meio de uma sociedade despersonalizada e despersonalizante, temos a tarefa de insistir em que o âmbito do amor é muito mais amplo do que o do sexo; que a mera utilização dos órgãos genitais não vai produzir automaticamente o amor que todos anelamos.

AMOR NÃO É SÓ SENTIMENTOS

Um segundo erro quanto ao amor é defini-lo como somente um sentimento. Aqui também as canções, os filmes, as telenovelas têm contribuído para forjar um conceito eminentemente romântico do amor. Segundo essa perspectiva, o amor existe somente quando os sentimentos estão à flor da pele, quando as batidas do coração se aceleram e os suspiros são freqüentes. Quando os sentimentos se apagam, crê-se que o amor se esvaiu. Que base frágil para o amor: a ditadura dos sentimentos!
Quando um casal se apresenta a mim com a triste conclusão de que já não se amam, eu lhes pergunto: "Como sabem disso?" "É que já não sentimos", é a resposta freqüente. "Querem aprender a amar-se?" é a minha resposta que geralmente provoca grande surpresa. Para muitos, o amor não pode ser aprendido: sucede ou não sucede. "No coração não se manda", é um provérbio tão popular quanto equivocado.
Os sentimentos costumam ser uma base muito instável para o amor. Dependem, muitas vezes, não de nossos bons propósitos, mas do funcionamento das glândulas endócrinas, de uma má digestão, da menstruação, ou de ter-nos levantado da cama com o pé esquerdo. O amor necessita, para sua contínua existência, de um fundamento mais estável: o compromisso dos que compõem a família e a ajuda de Deus.
Com efeito, os sentimentos são apenas como o terceiro ingrediente da receita do amor. As atitudes são de igual importância para o amor no lar, sobretudo as de aceitação e respeito. As ações não deixam de ocupar um lugar de igualdade.

 

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